Como se Adaptar a Restrição Alimentar nas 5 fases e Como Superá-las
- Alessandra Q. Bauer
- 15 de set. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 5 de nov. de 2024
Assim como o luto por uma perda significativa, descobrir que você não pode mais consumir certos alimentos, como leite e derivados, ou enfrentar uma condição crônica, pode ser uma experiência desafiadora. Este processo passa por 5 estágios semelhantes aos do luto. Entenda cada uma dessas fases e como elas podem afetar sua vida.

Descoberta da Restrição Alimentar
Vivemos na condição de sermos perfeitos, ou quase... porém, não somos.
Receber a notícia de que você possui restrição alimentar e precisará evitar ou até mesmo eliminar da sua vida certos alimentos pode ser um choque, semelhante a uma perda significativa.
É um momento de transformação que exige adaptação. Aqui estão as 5 fases desse processo, cada uma trazendo seus próprios desafios e sentimentos:
Negação, dificuldade de entendimento e aceitação
Questionamento e Raiva
Negociação
Depressão
Aceitação
Vamos ver como funciona cada um.
Primeiro estágio: Negação, dificuldade de entendimento e aceitação
É o primeiro sentimento diante da notícia de uma restrição, pois é uma perda de algo.
Consiste em uma fase de dificuldade de entendimento e negação do acontecimento.
No início, é comum sentir que a notícia é um engano ou algo temporário.
Você pode ter dificuldade em aceitar a nova realidade, procurando sinais que confirmem que a restrição é apenas uma fase.
Essa negação serve como um mecanismo de defesa, permitindo um tempo para processar a informação e se ajustar gradualmente.

É comum fazer um “flashback” da vida para entender o "por que".
Pode haver uma busca de situações já vividas em que o alvo da restrição alimentar não fez mal nenhum e chegar a conclusão de que não é uma condição crônica, mas sim temporária.
Funciona como um "para-choque" para se acostumar com a situação.
É um estado temporário do qual nos recuperamos do choque da notícia, vamos digerindo nossa nova condição gradativamente, à medida que vamos buscando informações e se acostumando com a realidade, até começar a reagir.
Segundo estágio: Questionamento e raiva
À medida que a realidade se estabelece, sentimentos de raiva e questionamento podem surgir.
Você pode se sentir frustrado e revoltado, e essas emoções podem levar a comportamentos autodestrutivos, como ignorar a restrição e comer o que não deve, agravando sua condição.
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É a fase em que podem surgir as seguintes perguntas:

Por quê eu?
O que eu fiz para merecer isso?
Nunca mais vou poder fazer o que gosto?
O que farei agora?
É um mix de sentimentos de raiva, medo, inconformismo e dúvidas, muitas dúvidas. Esses sentimentos podem variar muito em intensidade e frequência, conforme a pessoa.
Esta é uma fase delicada, podendo resultar em atitudes desagradáveis, como chutar o balde e não dar importância à restrição, fazendo tudo o que não pode, “vou comer tudo hoje por que amanhã começo a dieta”. Atitude que só agrava a condição de saúde já identificada.
Terceiro estágio: Negociação/Barganha
A revolta anterior não trouxe alívio, aí vem os pensamentos sobre fazer algo para reverter o acontecido.
É a fase de buscar informações para encontrar saídas alternativas, um case de alguém que conseguiu reverter a situação.
Começamos a ter esperança de uma cura divina, de um remédio ou tratamento que reverta a situação.
Também buscamos opção de poder, nem que seja eventualmente, fugir da restrição alimentar, sem graves consequências a nossa saúde.
É o chamado “jeitinho brasileiro” perante a nossa nova condição.
Quarto estágio: Tristeza
Em busca de um milagre, verificamos que ele não existe, então entramos nesta fase de tristeza.
Nos damos conta que a restrição realmente é necessária para nossa saúde. Não temos como fugir dela.
Nesta fase é legal conversar com pessoas que estão na mesma condição que a gente a mais tempo.
É o momento em que encaramos de frente nossa restrição e começamos a pensar de forma séria e responsável sobre a nossa saúde.
Entramos na fase do “como”.

Como farei para me adequar a viver sem o que estava acostumado?
Como acharei substitutos para as coisas que eu gostava?
Como farei com a minha vida social?
Como será meu dia a dia?
É uma fase melancólica, entendemos que não temos opção, é uma restrição e teremos que abandonar coisas que gostamos.
Paramos de buscar informações e cases milagrosos, é como se fosse um tempo para se convencer da nova realidade.
Assim que conseguimos entender que é uma nova realidade e não tem alternativa, vamos para o próximo estágio, que é a aceitação.
Quinto estágio: Aceitação
Fazemos reflexões e adquirimos percepções mais adequadas, de acordo com a nossa nova situação. Conseguimos ter expectativas mais tranquilas, facilitando a aceitação do ocorrido e possibilidades de reação.
Após externar sentimentos e angústias, inveja por quem não tem o mesmo problema e raiva pelos que não são obrigados a enfrentar a mesma situação, lamentamos pela nova realidade e aceitamos a nossa condição.
Começamos a enxergar uma nova forma de viver com mais tranquilidade, começamos a pensar em alternativas, nos dedicamos a fazer descobertas que começam, inclusive, a nos agradar.
Mesmo com dificuldades e limitações enxergamos a possibilidade de se reestruturar perante a nova situação.
Nos abrimos à experimentar substitutos e nos interessar de forma realista e madura pela nossa nova condição.
Começamos a nos sentir mais em paz e a ter condições de se reorganizar na vida.
Já temos as informações que precisamos, agora é agir.
Viver com restrição alimentar exige um processo contínuo de aceitação e adaptação
Por mais que seja difícil, todos nós precisamos estar conscientes de que, ao longo da nossa jornada, iremos passar por situações que podem mudar completamente a nossa vida.

Entender a nova realidade e aceitá-la é um processo contínuo, pois no decorrer do tempo podemos revisitar algum dos estágios e... tudo bem, somos seres humanos, não máquinas.
O importante é achar uma nova forma de viver que seja adequada às suas necessidades, à sua realidade e que te traga qualidade de vida e paz interior.
Nota: texto desenvolvido com base na experiência pessoal de luta diária contra uma doença autoinflamatória chamada Hidradenite Supurtiva da autora (Alessandra Queiroz Bauer).
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